O verdadeiro amigo do homem

GAZETA DO POVO/VIVER BEM

O verdadeiro amigo do homem

Há quatro anos, terças e quintas são dias especiais para Bianca Gonçalvez Ribas, 16 anos. Ao acordar, ela já tenta descobrir como está o tempo. A menos que esteja chovendo, a mãe de Luciana a coloca na cadeira de rodas e as duas seguem para o Centro de Equo­­­terapia Andaluz. Duas horas e dois ônibus depois, é fácil perceber que a espera valeu a pena. Ao subir no cavalo, Bianca se sente livre e radiante, resultado dos 30 minutos que passa sobre o amigo equino. “Desde a primeira vez ela já ficou encantada, e comenta sempre sobre a sensação de liberdade que sente no cavalo. Ela pratica desde os 12 anos, mas toda vez é como se fosse a primeira”, conta a mãe.

Bianca chegou à equoterapia pela indicação de um neuropediatra. Prematura, a menina teve paralisia cerebral ao nascer. Apesar de também ter sessões de fisioterapia tradicional e de jogar bocha (como terapia), é na equoterapia que a menina tem os maiores ganhos. “Ela melhorou a postura e o equilíbrio do tronco. A autoestima aumentou muito também”, diz Luciana.

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Antônio More/ Gazeta do Povo

A equoterapia é um meio de reabilitação, com diversos benefícios físicos e psicológicos. A fisioterapeuta Ana Carolina Pereira Matos, coordenadora do Centro de Equoterapia Andaluz, explica que o cavalo se assemelha ao homem pelo movimento que faz enquanto anda e por isso a terapia acaba ajudando crianças e adultos com dificuldades motoras, que precisam de melhor equilíbrio, postura e controle do corpo. Os ganhos não param por aí. “Quando uma criança sobe em um cavalo, que é um animal grande e poderoso, ela se sente poderosa também. A terapia também acaba melhorando o convívio social, a comunicação, a atenção, a memória e a concentração”, explica. A equoterapia também costuma ser indicada para crianças com problemas psicológicos ou de comportamento.

“Quando uma criança começa a terapia, ela tem de obedecer as regras e os limites, além de ter a rotina. Se uma criança é agitada, não consegue ficar na mesma atividade por muito tempo, ou perde a atenção na sala de aula. A equoterapia pode ajudá-la organizando o seu desenvolvimento”, explica o fisioterapeuta Ênio Funchal, professor na área de Neuropediatria da PUCPR.

Serviços

Conheça três das principais divisões da equoterapia:

Hipoterapia

Indicada as pessoas portadoras de necessidades especiais, é um meio de reabilitação física e psíquica, utilizando os vários estímulos dados pelo cavalo em conjunto com técnicas específicas da fisioterapia e equitação.

Equitação terapêutica

Indicado para praticantes que têm independência para manter-se sobre o cavalo com o objetivo de estimular a organização espacial, sociabilização, linguagem e aprendizagem.

Pré-esportivo

Inclui os primeiros contatos, os cuidados preliminares, a montaria e o manuseio final, desenvolvem ainda novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.

Serviço

Centro de Equoterapia Andaluz, na Sociedade Hípica Paranaense, BR 116 Km 93, 5.861, Tarumã, fone (41) 3027-1666.

Horse Place, R. Miguel Fillus, 88, Jardim Bom Pastor, Campo Magro, fone (41) 8413-0705, e e-mail riskallaf@hotmail.com.

Por dentro da terapia

A fisioterapeuta e psicomotricista relacional Fabiana Riskalla é coordenadora terapêutica dos programas de equoterapia do Horse Place. Ela esclarece dúvidas sobre a equoterapia.

> Quem é atendido – Bebês já podem praticar com indicação médica, mas o mais comum é iniciar a equoterapia a partir dos três anos. Adultos e idosos também podem praticar, cada um com um programa específico, de acordo com sua indicação, seja por um quadro neurológico, ortopédico, por lesão medular, síndromes, transtornos invasivos ou intelectuais, questões emocionais ou outros.

> As sessões – As atividades variam de acordo com o objetivo e planejamento específicos de cada praticante, que pode participar da escovação e da alimentação do cavalo. O programa de montaria pode envolver atividades de coordenação, equilíbrio, correção postural, integração sensorial, cognitivas, comportamentais, de comunicação e de socialização. Ao final é feita a despedida entre o praticante e o cavalo, o que também estimula o afeto com o animal.

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